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As origens da ocupação humana em Valença do Minho

As origens de Valença são muito antigas, admitindo-se como provável a presença de comunidades humanas neste território desde a pré-história. Efectivamente, os diversos vestígios arqueológicos aqui descobertos revelam-nos como este sempre foi, desde a alta antiguidade, um local propício à fixação humana – em grande medida devido aos diversos recursos naturais que aqui se encontram disponíveis.

As gravuras rupestres da Tapada de Ouzão e do Monte da Lage, e as gravuras próximas do Monte dos Fortes, executadas durante o período da Idade do Bronze, são especialmente interessantes deste ponto de vista, ao revelarem a importância da actividade pastorícia na zona da serra.

Embora não existam certezas, nem um consenso científico quanto ao significado destas gravuras, supõe-se que possam estar associadas a um significado simbólico-religioso. Estes dois sítios arqueológicos encontram-se desde 1980 e 1984, respectivamente, classificados como Imóvel de Interesse Público. Nas imediações das estações arqueológicas da Tapada de Ouzão e do Monte da Lage podem ser encontrados vestígios de povoados fortificados erguidos durante a Idade do Ferro, bem como de um notável conjunto megalítico – todos estes diferentes elementos reforçam a convicção de que a riqueza cinegética da região terá certamente contribuído para a atracção e fixação de comunidades humanas em Valença ao longo dos séculos e dos milénios.

Mais tarde, encontramos em Valença diversos vestígios que remontam ao tempo do império romano. O facto de este constituir um importante local de atravessamento do rio Minho, através da via romana que ligava Bracara (hoje Braga) a Lucus (actualmente, Lugo) certamente ajuda a explicar a fixação humana neste local, já nesta época. Em 137 A.C. pensa-se que o Cônsul Romano Júlio Bruto terá acampado nestas paragens. Com o Imperador Augusto começaram a definir-se pequenas fortalezas, então designados por Castelli, de localização estratégica sobre a via de comunicação – um deles terá sido o Castellum de Valença.

Ao domínio romano sucederam-se, posteriormente, os Suevos e os Godos. A localização junto ao rio Minho revelou-se, uma vez mais, estratégica, tendo mesmo chegado a existir uma residência real em Tui durante este período. Ainda, hoje, existem em Valença vestígios desta época, testemunhando o domínio suevo-visigótico.

O aglomerado viria posteriormente a sofrer de forte esvaziamento populacional em consequência da ocupação árabe (a primeira invasão terá ocorrido por cerca do ano de 716) que obrigou os seus habitantes a dispersarem-se pelos núcleos de resistência cristã no Norte da Península Ibérica. A mais poderosa invasão árabe foi a de Almansor em 997, que se estendeu até Santiago de Compostela e arrasou Ganfei (Valença), de que só ficou a memória da sua fundação.

Com a Reconquista Cristã, esta região foi recuperada, tendo sido posteriormente integrada no Condado Portucalense e, mais tarde, no reino de Portugal.

Praça-Forte: elemento marcante para o desenvolvimento de Valença

A história e as origens mais evidentes do desenvolvimento de Valença do Minho encontram-se estreitamente ligadas à presença do rei D. Sancho I, no Entre Lima e Minho, em finais do século XII. Em consequência da anulação do casamento entre Afonso IX de Leão e a infanta Teresa, filha de Sancho I, este monarca português decide dar inicio a uma série de tentativas de ocupação das localidades de Tui e Pontevedra, na Galiza. Estas manobras militares vão inevitavelmente reacender velhos conflitos e tendências expansionistas portuguesas sobre o território galego.

É no quadro destes conflitos entre Portugal e Espanha que Valença, à época conhecida por Contrasta, e até então uma “terra erma”, ganha por volta de 1200 um protagonismo inédito. Por um lado, graças à sua posição estratégica, entre o rio Minho e a velha estrada romana, Contrasta constituía o local ideal para vigiar os ataques galegos e para planear as investidas sobre Pontevedra e Tui. Por outro lado, devido à importância que a antiga via romana ganha enquanto local de peregrinação rumo ao túmulo de Santiago, para a qual confluíam peregrinos e viajantes de toda a Península Ibérica.

Terá sido provavelmente esta conjugação de factores que levou o rei D. Sancho I a outorgar a sua primeira carta de foral e a aqui decidir erguer uma construção defensiva de carácter permanente – afirmando uma linha de fronteira natural que o rio já estabelecia.

De acordo com relatos da época, a delimitação do Couto de Valença teve um forte impacto, revestindo-se de certa solenidade e significado. Marca, ainda, dois ritmos de desenvolvimento distintos – intra-muros (abrangido pelo foral) e extra-muros – com modelos de relações sócio-económicas e políticas próprias: o interior da muralha poderia caracterizar-se como sendo um espaço com um cariz mais urbano, onde se localizam os mais importantes edifícios e serviços e onde estava sedeado o poder político e militar. Fora das muralhas ficavam as terras chãs, de vocação eminentemente rural e agrícola.

Saliente-se ainda que, à semelhança de outras comunidades instaladas em zonas fronteiriças (especialmente arriscadas devido à sua perigosidade militar e, portanto, pouco atractivas à ocupação humana), D. Afonso II concedeu o foral, em 15 de Agosto de 1217, contemplando um conjunto de regalias e privilégios aos habitantes de Contrasta – tais como a dependência exclusiva do rei, a isenção de pagamento de portagem em todo o reino, algumas vantagens judiciais, protecção do domicílio, entre outros. Deste modo, pretendeu-se estimular o desenvolvimento de Contrasta, que nesta época assume, do ponto de vista geoestratégico, um estatuto reforçado no contexto das relações do Minho com a Galiza, tornando-se no principal ponto de passagem entre as duas regiões.

Em consequência das guerras com Leão, o núcleo de Contrasta ficou parcialmente destruído no século XIII (1211/1212), tendo de ser reconstruído. Com o intuito de reforçar o desenvolvimento do aglomerado, D. Afonso II atribui um novo foral a Contrasta, renovado os privilégios que tinham sido atribuídos por D. Sancho I.

Em 1262, Contrasta muda de nome para Valença, por decisão de D. Afonso III, procurando simbolicamente reavivar o dinamismo deste aglomerado na rede urbana do reino. Para além da mudança de nome, o monarca ordena, ainda, uma profunda reforma do sistema militar da vila, passando as muralhas a abarcar toda a povoação. Apesar de se desconhecer, em grande parte, a sua configuração exacta (devido às múltiplas transformações posteriormente introduzidas), ainda hoje é possível detectar alguns vestígios da fortaleza medieval de Valença. Por exemplo, na Porta do Açougue, virada a poente, persiste um escudo medieval na pedra de fecho, ainda sem orla dos castelos. Por último, Valença passa então a dispor de um alcaide e de uma guarnição militar (besteiros do conto) fixa, que tinham a seu cargo a defesa da vila e da região das incursões leonesas.

Ao longo das décadas e séculos seguintes, a Praça-Forte de Valença continuou a beneficiar de uma atenção privilegiada, por parte das autoridades políticas e militares, devido à importância geoestratégica que nunca perdeu.

No entanto, será somente em finais da década de 50 do século XVII, durante os anos críticos da Guerra da Restauração, que se dão as primeiras tentativas para reforçar a muralha de Valença, uma das mais expostas a ataques espanhóis – em 1657 e 1660, chegaram mesmo a haver tentativas sérias para tomar esta fortaleza afonsina.

A obra da fortaleza de Valença ficou a cargo do francês Miguel Lescole, que procurou robustecer esta enfraquecida estrutura defensiva. O projecto original de Lescole, encomendado em 1668 e entregue em 1683, acaba, contudo, por nunca ser aprovado pelo Conselho de Guerra. Será Manuel Pinto Vilalobos, um discípulo do engenheiro militar francês, que, aproveitando em grande parte as plantas do mestre, dará início à tarefa, em finais de 1691. A obra estará, em grande medida, concluída em 1700.

A nova Fortaleza de Valença dividia-se em duas áreas distintas, interligadas pela Porta do Meio: a “Vila”, a Norte, abrangendo o velho núcleo medieval, mais densamente povoado e onde se reuniam os principais equipamentos sociais; com menor dimensão e praticamente desimpedida de construções, a “Coroada” , a sul. A rodear os dois espaços, uma densa malha de baluartes, revelins e fossos que garantiam o isolamento de toda esta área e permitiam uma ampla área de visibilidade e de fogo. Ainda, hoje, é possível, quando percorremos o intra-muros da Fortaleza de Valença, identificar claramente estas duas áreas. Com cerca de 3,5 km de perímetro amuralhado, o sistema defensivo abaluartado de Valença é composto por 10 baluartes e dois meios baluartes. São nesta altura criados os baluartes da Lapa, da Esperança e do Faro, o chamado Paiol do Açougue (Antigo Armazém da Pólvora), edificado em 1715 no lado poente da Praça, e o Paiol do Campo de Marte , onde, hoje, está instalado o Posto de Turismo de Valença, valendo certamente a pena a sua visita, atendendo às características únicas do seu interior.

Esta obra militar foi considerada de grande inovação para a época, recorrendo à técnica de fortificação abaluartada.

No início do século XVIII Valença era a mais importante Praça-Forte do Minho e uma das mais importantes de toda a linha fronteiriça de Portugal.

O desenvolvimento de Valença nos tempos modernos

A Ponte Rodo-Ferroviária Internacional (ou Ponte Metálica sobre o Rio Minho), que liga Valença a Tui, constitui um importante sinal de progresso e modernidade deste concelho que, durante alguns anos, viu o comboio terminar em Segadães. Só em 1879 é que os governos de Portugal e Espanha chegam a acordo para a construção desta importante via de ligação bifuncional (ferroviária e rodoviária).

Inaugurada em 25 de Março de 1886, aproximadamente cinco anos após o anúncio público do concurso da obra (lançado conjuntamente pelos dois governos nacionais), este é um projecto do engenheiro espanhol D. Pelayo Mancebo Y Agreda. Constituída por dois tabuleiros metálicos sobrepostos, com 400 metros de comprimento, assentes em quatro pilares de granito, o caminho-de-ferro circula no tabuleiro superior da ponte, estando o piso inferior reservado ao tráfego rodoviário e pedonal.

Espaço de fronteira e de confluência, durante décadas, esta Ponte Metálica simbolizou um importantíssimo elo de ligação (histórica, económica e social) entre o Norte de Portugal e a Galiza que vai ser, deste modo, reforçado a partir de finais do século XIX. Ainda, hoje, se mantém as ligações ferroviárias internacionais diárias desde o Porto até à cidade espanhola de Vigo. Por outro lado, a Ponte Internacional vai, ainda, assumir um papel muito relevante no desenvolvimento de Valença ao longo do século XX.

Fortaleza
de Valença

o mais emblemático dos seus ícones – impõe a sua presença no alto de uma colina, assinalando a grandeza de uma das mais antigas povoações portuguesas, cuja imponência será, talvez, a responsável pela primeira impressão que se tem ao chegar.